Redescobrindo Deus mesmo em uma visão naturalista – Parte 2

Gabriel Brasileiro

Parte 1

Parte 2

E o que é uma explicação? 

Um recurso bastante útil para definir algo é a exemplificação, a qual permite capturar e comunicar noções de maneira simples e eficiente. Por exemplo, uma possível resposta para a pergunta “o que é algo físico?” seria a seguinte: “árvores, montanhas e planetas são exemplos de coisas físicas, logo, algo físico é aquilo feito do que são feitas árvores, montanhas e planetas”. Nesse caso, os exemplos foram utilizados com o objetivo de proporcionar a visualização e a comunicação da noção desejada, isto é, de “físico”. Do mesmo modo, como a explicação de algo está atrelada ao “porquê” de algo — dizemos que A é explicado por B se “A porque B” —, então, a noção de “porque” pode ser visualizada e comunicada a partir de vários exemplos acessíveis ao senso comum, que evidenciam uma vastidão de espécies de explicações: 

1. Um filhote de cachorro existe porque seus pais acasalaram  
2. Existem crateras na Lua porque meteoros, cometas e asteroides chocaram-se contra ela 
3. Ondas gravitacionais existem porque existe o espaço-tempo  
4. Uma partícula elementar existe porque existe o campo quântico 5. Alguns pássaros machos são coloridos porque isso atrai parceiras sexuais 
6. Leões tem dentes grandes e afiados porque isso facilita matar e comer presas
7. A mão de uma pessoa existe porque está no corpo dessa pessoa
8. O rabo do cachorro existe porque está no corpo do cachorro
9. Triângulos existem porque existem polígonos com três lados 
10. Conjuntos não vazios existem porque existem conjuntos com elementos dentro
11. Na mente do matemático há certo resultado porque ele fez cálculos 
12. Na mente do filósofo há certa conclusão porque ele fez inferências 
13. Na mente da criança há um elefante rosa porque ela imaginou isso 
14. Na mente do poeta há versos porque ele imaginou isso 
15. Uma estátua existe porque existem partículas organizadas em forma de estátua 
16. A Segunda Guerra Mundial existiu porque existiram eventos que constituíram a guerra    
17. A água está quente porque as moléculas de H2O estão agitadas  
18. A pedra é dura porque suas moléculas estão bastante unidas  
19. Alguém é tio porque tem um sobrinho  
20. Alguém é gêmeo porque tem um irmão gêmeo
21. P^Q é verdadeiro porque P é verdadeiro e Q é verdadeiro  
22. O resultado é o número x porque se segue corretamente dos cálculos  
23. Romeu matou-se porque achava que Julieta havia morrido  
24. O Homem-Aranha tem poderes porque foi picado por uma aranha radioativa 
25. Não devemos machucar inocentes porque é moralmente errado    
26. Não devemos roubar porque a lei proíbe  
27. Não devemos comer de boca aberta porque é falta de educação
28. Sócrates é mortal porque ele é homem e todo homem é mortal 29. O Sol vai nascer amanhã porque ele nasce todos os dias  
30. Há alguém em casa porque as luzes estão acessas  
31. Isso é um carro porque tem quatro rodas e serve para se locomover  
32. A porta tem uma cor porque é azul
33. A temperatura de alguém é 40°C porque o termômetro indicou  
34. A velocidade do carro é de 60 km/h porque o velocímetro indicou  
 
Posto isso, podemos observar que, de fato, há várias espécies de “porquês”, isto é, de explicações, que podem ser classificadas da seguinte maneira: 
 
a) A explicação causal (1, 2), cuja explicação da existência de um fato é sua causa  
b) A explicação fundamental (3, 4), cuja explicação da existência de um fato é um substrato fundamental     
c) A explicação teleológica (5, 6), cuja explicação da existência de um fato é sua finalidade  
d) A explicação holística (7, 8), cuja explicação da existência de um fato é um sistema do qual ele faz parte que o mantém existindo  
e) A explicação analítica (9, 10), cuja explicação de algo envolve sua própria definição
f) A explicação noética (11, 12), cuja explicação de um pensamento é a mente do sujeito que o pensou 
g) A explicação imaginativa (13, 14), cuja explicação de um elemento imaginativo é a mente do sujeito que o imaginou 
h) A explicação composicional (15, 16), cuja explicação da existência de um fato é a coleção de partes que o compõem  
i) A explicação subveniente (17, 18), cuja explicação da propriedade de um fato é uma propriedade da coleção de suas partes  
j) A explicação relacional (19, 20), cuja explicação sobre a identidade de um fato é a identidade de outro fato
k) A explicação subjetiva (21, 22), cuja explicação de um resultado abstrato é uma implicação abstrata
l) A explicação ficcional (23, 24), cuja explicação de um acontecimento fictício é outro acontecimento fictício 
m) A explicação prescritiva (25, 26, 27), cuja explicação de uma norma de comportamento é um sistema de normas éticas, legais ou de etiqueta
n) A explicação evidencial (28, 29, 30), cuja explicação de um fato são evidências articuladas segundo raciocínios dedutivos, indutivos ou abdutivos
o) A explicação descritiva (31, 32), cuja explicação sobre a identidade de um fato é sua descrição  
p) A explicação experimental (33, 34), cuja explicação de um fato é uma medida feita com algum equipamento  
 
Provavelmente há outras espécies de explicações, mas, para fins de exemplificação, creio que essas são suficientes para comunicar a noção de “explicação” a fim de que alguém compreenda o que é uma explicação.  

Como Deus pode explicar todos os fatos? 

Diante disso, podemos notar primeiramente que toda explicação envolve uma relação entre dois polos: o que explica e o que é explicado. No caso de Deus e a coleção de todos os fatos que existiram, existem e existirão (somente “coleção de todos os fatos” a partir de agora), Deus está no polo que explica, enquanto a coleção de todos os fatos está no polo que é explicado. Por exemplo, tradicionalmente no cristianismo, é dito que Deus “criou o mundo”, o que significa que Deus explica causalmente a existência da coleção de todos os fatos, isto é, que “a coleção de todos os fatos existe porque Deus causou sua existência”. Contudo, Deus ser a explicação causal da coleção de todos os fatos não necessariamente significa que Deus é a causa direta de todos os fatos. Isso pode significar apenas que Deus causou a existência certos fatos diretamente e, consequentemente, causou indiretamente a existência dos fatos que se sucederam daqueles. Ademais, também é dito que Deus mantém a existência de sua criação a fim de que ela possa continuar a existir, isto é, que “a coleção de todos os fatos existe porque existe o ato mantedor de Deus”. Nesses termos, o ato mantedor de Deus seria a explicação fundamental de todo e qualquer fato que persiste em existência, certo que, nesse caso, Seu ato mantedor seria um substrato fundamental que explicaria o porquê da persistência da existência dos fatos. E também é dito que a coleção de todos os fatos existe a fim de servir a uma finalidade estabelecida por Deus, o que significa que Deus explica teleologicamente a coleção de todos os fatos, isto é, que “a coleção de todos os fatos existe porque sua existência serve a uma finalidade estabelecida por Deus”.   
 
No entanto, há outras espécies de explicações que também podem ser atribuídas à relação entre Deus e todos os fatos existentes, apesar de serem menos disseminadas em tradições cristãs. Por exemplo, se o panenteísmo é verdadeiro e a coleção de todos os fatos está contida em Deus, então, podemos dizer que “a coleção de todos os fatos existe porque está em Deus”, o que caracteriza de certo modo uma explicação holística, ou seja, Deus explica holisticamente a existência da coleção de todos os fatos. Nesse sentido, de modo semelhante a como uma mão separada do corpo irá se decompor até finalmente deixar de existir, algo que deixa de fazer parte de Deus, ou seja, que é “separado” de Deus, deixa de existir. No entanto, há algumas diferenças entre a relação entre uma mão e um corpo e a relação entre algum fato e Deus. No primeiro caso, se a mão é separada do corpo, ela não deixará de existir imediatamente, uma vez que o processo de decomposição ocorre lentamente, o que significa que por um certo período de tempo a mão continuará existindo separada do corpo, apesar de, nessa circunstância, ela já estar sob a ação do processo que fará ela deixar de existir. E, além disso, é possível conceber formas pelas quais uma mão separada do corpo pode continuar existindo, como uma mão mantida artificialmente através de aparelhos. Já no segundo caso, como no panenteísmo Deus é tudo que existe, uma vez que a coleção de todos os fatos está contida nEle, então, um fato “separado” dEle não existiria e nem seria capaz de existir enquanto estivesse “separado”. Afinal, se algo não está em “tudo que existe”, por definição, ele não existe e nem pode existir enquanto estiver “separado” de “tudo que existe”. Posto isso, nesses termos, é possível dizer que, no panenteísmo, Deus também explica analiticamente a existência da coleção de todos os fatos, visto que, como tudo que existe é Deus, então, “a coleção de todos os fatos existe porque, por definição, pertence a ‘tudo que existe’, isto é, Deus”.
 
Já outras espécies de explicações menos disseminadas em tradições cristãs que podem ser atribuídas à relação entre Deus e a coleção de todos os fatos são aquelas que retratam Deus como uma mente e todos os fatos da coleção como elementos mentais que estão em Sua mente. Nesse sentido, todos os fatos da coleção teriam naturezas fundamentalmente mentais, de modo semelhante às entidades que habitam nossas mentes. E, portanto, Deus explicaria a existência da coleção de todos os fatos na medida em que todos os fatos da coleção integram Seus pensamentos e de Sua imaginação, inclusive nós. Desse modo, se isso é verdade, podemos dizer que Deus explica noeticamente e imaginativamente a existência da coleção de todos os fatos, ou seja, “a coleção de todos os fatos e porque Deus a pensa e imagina em Sua mente”. Nesse sentido, leis da natureza poderiam ser compreendidas como leis do pensamento de Deus, ou seja, a sucessão de eventos naturais que seguem certa regularidade equivaleria à sucessão de pensamentos de Deus que seguem certa lógica. Enquanto contingências produzidas pelas regularidades das leis naturais poderiam ser compreendidas como produtos da imaginação de Deus. 
 
Já as demais espécies de explicações ou são incertamente atribuíveis à relação entre Deus e a coleção de todos os fatos ou definitivamente não são atribuíveis a tal relação. Por exemplo, a explicação composicional e a explicação subveniente referem-se, basicamente, a relações que envolvem coleções de fatos que explicam algum outro fato, o que em primeiro momento não parece condizente com a maneira monoteísta de pensar que orienta o debate filosófico religioso ocidental. Afinal, se Deus é um, uma explicação que envolve mais de um indivíduo no polo que explica não parece condizente com a unidade de Deus. Porém, esse estranhamento pode ser decorrente de vieses culturais cristãos que dominam o debate ocidental e não de uma intuição racional, afinal, talvez haja algum modelo de divindade em que Deus explica todos os fatos existentes desse modo sem que isso contradiga Sua unidade. E, em razão dessa incerteza, acredito que essas espécies de explicações são incertamente atribuíveis à relação entre Deus e todos os fatos existentes.

Já outros exemplos de espécies de explicações que acredito serem incertamente atribuíveis à relação entre Deus e a coleção de todos os fatos são aquelas que envolvem entidades de naturezas abstratas: a relacional e a subjetiva. Como dito, nesses casos, as relações ocorrem entre entidades de naturezas abstratas, o que a princípio não parece ser o caso da relação entre Deus e a coleção de todos os fatos. Como vimos anteriormente, é possível que todos os fatos da coleção tenham natureza mental e, portanto, abstrata, mas Deus não é concebido tradicionalmente como uma entidade abstrata, tal como números, formas geométricas, matrizes, vetores, tensores etc. Se Deus fosse uma entidade abstrata, não parece que Ele seria tão “real” quanto é concebido no debate filosófico religioso ocidental, uma vez que relações explicativas entre entidades abstratas não parecem, intuitivamente, envolver entidades tão “reais” quanto entidades que não são abstratas. Por exemplo, a identidade de alguém “ser tio” é decorrente da identidade de outro alguém “ser sobrinho”, mas essa relação explicativa não parece envolver entidades tão “reais” quanto o indivíduo concreto “tio” e o indivíduo concreto “sobrinho”. Do mesmo modo, não parece que entidades lógicas e matemáticas que se relacionam através de implicações são tão “reais” quanto os sujeitos que as pensam. No entanto, talvez seja possível haver algum modelo de divindade onde Deus é uma entidade abstrata que, através de alguma relação abstrata, explica a existência da coleção da de todos os fatos, que também seriam abstratos. Não sei exatamente como seria isso, mas, a fim de ser inclusivo com possíveis modelos divinos, por mais estranhos que possam parecer, prefiro compreender a explicação relacional e a explicação subjetiva como sendo espécies de relações incertamente atribuíveis à relação entre Deus e todos os fatos existentes.

Tratando-se agora das espécies de explicações que definitivamente não são atribuíveis à relação entre Deus e a coleção de todos os fatos, podemos elencar primeiramente a explicação ficcional. Se Deus explica ficcionalmente a existência da coleção de todos os fatos, isso significa que Deus é um personagem fictício que explica todos os “fatos” da coleção apenas em narrativas inventadas por seres humanos, as quais não possuem qualquer correspondência com o mundo real, extramental. Se isso é o caso, evidentemente, Deus não explica verdadeiramente a existência da coleção de todos os fatos. Por fim, há as explicações prescritiva, evidencial, descritiva e experimental. Sobre a primeira espécie, como uma explicação prescritiva trata apenas de normas, Deus poderia explicar prescritivamente apenas a existência de normas, não de todos os fatos da coleção. Nesse sentido, Deus poderia explicar prescritivamente porque roubar é errado — seja porque Ele criou essa regra ou porque regras como essa fazem parte de Sua natureza de algum modo —, mas Ele não poderia explicar prescritivamente porque elétrons existem, por exemplo. Sobre a segunda espécie, Deus não poderia explicar evidencialmente a existência da coleção de todos os fatos em razão de essa espécie de explicação compreender apenas a ordem do saber, enquanto que explicações que envolvem Deus e a coleção de todos os fatos, ao contrário, compreendem a ordem do ser. Para entender essa distinção, vamos a um exemplo: a pergunta “por que a casa está pegando fogo?” pode ser respondida tanto afirmando “porque está saindo fumaça pela janela” quanto afirmando “porque o fogão explodiu”. A primeira resposta compreende a ordem do saber, dado que se refere a algo que evidenciou a existência do incêndio, enquanto a segunda resposta compreende a ordem do ser, dado que se refere a algo que proporcionou a existência do incêndio. Diante disso, é possível notar que não faz sentido dizer que Deus explica evidencialmente a existência da coleção de todos os fatos, pois isso equivaleria a dizer algo como “a coleção de todos os fatos existe porque Deus evidenciou sua existência”. Isso claramente não faz sentido. O que faria sentido seria dizer que existem certos fatos que evidenciam a existência de Deus, não o contrário. Sobre a terceira espécie, Deus não poderia explicar descritivamente a existência da coleção de todos os fatos em razão de essa espécie de explicação compreender apenas descrições, que são meramente exposições sobre alguma entidade que não representa qualquer poder sobre a entidade descrita. Desse modo, como a relação entre Deus e a coleção de todos os fatos envolve algum poder do primeiro sobre o segundo, a explicação descritiva não pode ser atribuída à relação entre Deus e a coleção de todos os fatos. É possível descrever essa relação, mas ela em si mesma não é descritiva. E, finalmente, sobre a quarta espécie, também não faz sentido dizer que Deus explica experimentalmente a coleção de todos os fatos, pois, a explicação experimental compreende mensurações, e não há qualquer mensuração na relação entre Deus e a coleção de todos os fatos.

Diante de tudo isso que foi exposto, podemos notar que nossas intuições indicam que Deus pode explicar a existência da coleção de todos os fatos de certas maneiras, mas não de outras. No entanto, em razão da falibilidade de nossas intuições, é totalmente possível que espécies de explicações intuitivamente atribuíveis a princípio à relação entre Deus e a coleção de todos os fatos não sejam realmente atribuíveis. Desse modo, várias objeções podem ser levantadas. Mas, em primeiro momento, podemos considerar pelo menos a possibilidade de que Deus, se existe, pode explicar a existência da coleção de todos os fatos pelo menos de alguma maneira.

Todos os fatos existentes precisam de alguma explicação? 

Imagine que você está caminhando em uma floresta acompanhado de um amigo. Agora imagine que, de repente, em meios às árvores, você encontra um orbe brilhante e translúcido de mais ou menos dois metros que gira ao redor de seu próprio eixo a um palmo do chão. Maravilhado com aquilo, você então chama seu amigo para lhe mostrar sua descoberta. Seu amigo, no entanto, olha para aquele impressionante orbe com indiferença e dá início ao seguinte diálogo

Amigo: “Bonito… Agora vamos continuar nossa caminhada.”

Você: “Calma, precisamos descobrir o que é isso e como isso chegou aqui.”

Amigo: “Por quê?”

Você: “Porque isso precisa de alguma explicação.”

Amigo: “Acredito que isso não tem explicação.”

Você: “Mas isso é algo muito extraordinário para não ter explicação.”

Amigo: “Mesmo assim, acredito que isso não tem explicação.”

Você: “Isso que você está dizendo é ridículo!”

Amigo: “Não ligo. Essa é minha opinião e pronto.”

Mesmo que você não saiba justificar por que aquilo tem alguma explicação, ainda lhe parece ridícula a opinião do seu amigo. E parece que a maioria das pessoas do mundo também acharia a opinião do seu amigo ridícula. A intuição de que aquilo possui alguma explicação para estar ali parece ser muito forte para simplesmente ser desconsiderada. Posto isso, é possível compreender a motivação filosófica daqueles que creem genuinamente que a coleção de todos os fato possui uma explicação para existir, pois a coleção de todos os fatos parece extraordinária demais para não ter alguma explicação para sua existência. E, desse modo, Deus surge como um candidato à explicação.

Diante disso, essa intuição parece servir para fundamentar algum princípio da razão suficiente (somente “PRS” a partir de agora), o qual, por sua vez, pode ser bastante útil para tentar demonstrar que a coleção de todos os fatos possui uma explicação e que essa explicação é Deus. Contudo, como vimos, não existe apenas uma espécie de explicação e nem existe apenas uma espécie de explicação atribuível à relação entre Deus e a coleção de todos os fatos. E isso pode indicar que não existe somente um PRS. Talvez haja uma variedade de PRSs paralela a uma variedade de espécies de explicações. Mas talvez possamos reduzir todos os possíveis PRSs a um: se algo existe, esse algo possui pelo menos uma explicação para sua existência, seja lá qual for a espécie. Nesse sentido, podemos dizer que a coleção de todos os fatos possui pelo menos uma explicação, seja lá qual for a espécie. Porém, por mais estranho que possa parecer, talvez haja algo que não possui explicação de nenhuma espécie, o que serviria de contraexemplo a esse PRS. Além disso, mesmo que cada fato particular tenha pelo melo menos uma explicação para sua existência, talvez não se siga disso que a coleção de todos os fatos tenha uma explicação, em que Deus se encaixaria. Ou ainda, mesmo que cada fato particular tenha pelo melo menos uma explicação para sua existência, talvez as explicações aplicáveis a relações entre fatos particulares sejam inaplicáveis a relações explicativas envolvendo a coleção de todos os fatos. Nota-se, portanto, que muitos problemas podem ser levantados.

No entanto, tendo em vista várias dificuldades que podem ser levantadas, eu não vou me comprometer com nenhum PRS. Não será necessário. Indo na contramão de tradicionais argumentos que começam assumindo algum PRS a fim de concluírem a existência de Deus, eu seguirei outro caminho: demonstrarei que todos os fatos existentes possuem uma explicação sem partir do pressuposto que “se algo existe, há explicação para sua existência” e, em seguida, demonstrarei que essa explicação se encaixa no conceito de Deus. Isso pode ser estranho, mas fará sentido. Contudo, surge outra questão a ser respondida: qual o conceito de Deus?

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